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Guia do país

Café de especialidade — Tchéquia

Uma bica despacha-se ao balcão em vinte segundos; em Praga o café tem morada e demora. Dois moinhos, uma balança debaixo do coador, uma ardósia com o filtro da semana escrito por quinta e processo. A pergunta útil não é o que está na máquina — é de onde veio o saco, e o saco costuma vir de perto.
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Tchéquia: cidades e torrefações

Sobre o café de especialidade — Tchéquia

Praga: o saco viajou duas paragens de elétrico

Dezassete das cinquenta e uma torrefações ativas que seguimos na Chéquia têm morada em Praga — Doubleshot, Mamacoffee, Candycane e The Naughty Dog entre elas —, portanto o café que está à sua frente foi muitas vezes torrado dentro da mesma rede de elétricos que apanhou para lá chegar. Isso dá-lhe um itinerário: pergunte quem torrou e, se o nome tiver torrefação na cidade, volte a beber o mesmo lote na origem uns dias depois da primeira chávena.

É também em Praga que se compra, e não só se bebe. As prateleiras têm as torrefações locais mais aquilo que o dono valoriza do resto do país, e o sortido é mais fundo do que encontrará mais a leste; se seguir para Brno ou Ostrava, faça as compras antes de sair da capital. Para ver uma torrefação em vez de mais um café, marque-a para um dia útil — ao sábado entra numa loja, não num trabalho a decorrer.

A lista de Praga passa das 177 moradas, mais café do que cabe em quinze dias honestos, por isso vale como mapa e não como fila. Escolha uma linha de elétrico, ou uma margem do Vltava, e abra o mapa ao longo dela em vez de atravessar a cidade atrás de dez nomes soltos.

Quanto ao pedido: pergunte o que está hoje em filtro, em vez de ler a lista de cima a baixo. O filtro roda muito mais depressa do que o espresso, e a resposta diz-lhe logo em que tipo de casa entrou. Inglês ao balcão não é problema em nenhum bairro.

Brno cabe dentro de uma caminhada

Brno muda as contas. Sessenta cafés mapeados num centro que se atravessa em vinte minutos fazem com que a distância deixe de ser aquilo que se planeia; o limite passa a ser quanto café uma pessoa consegue beber entre o pequeno-almoço e a hora de fechar. Dois dias chegam para perceber a cidade, e esses dois dias funcionam melhor como volta do que como percurso — anda-se, entra-se quando a sala convence, e o mapa serve só para saber se na rua seguinte há alguma coisa que ficaria para trás.

Das cinquenta e uma torrefações, onze são de Brno — a Industra, a qb e a Rebelbean entre elas —, só Praga tem mais, e várias servem ao seu próprio balcão. É por isso que a resposta a «de onde é este?» pode bem ser a rua ao lado em vez de Praga, e nas boas casas explicam-lhe também porque escolheram aquela torrefação nesta época.

Na prática: manhãs mais calmas do que as praguenses, público local e estudante, balcões com tempo para conversa e tardes de semana genuinamente sossegadas. Não reserve nada. Com uma lista tão densa, um dia improvisado raramente corre mal, e as duas ou três casas a que acabará por voltar serão as que encontrou ao virar uma esquina.

As torrefações estão nas terras que o mapa ainda não tem

Ostrava é a única cidade checa aqui que se lê inteira antes de chegar. Nove cafés são uma lista curta, não um roteiro, e isso muda a utilização: veem-se todos na véspera, escolhem-se dois que correspondam ao que quer e o resto da atenção fica para a cidade. Uma dessas paragens é origem — a Laura Coffee torra em Ostrava, tal como a Father's e a Coffee Culture —, por isso uma manhã cobre a casa e quem a abastece, coisa que em Praga exigiria um desvio planeado.

Essa lista curta marca também o limite do que está mapeado. Fora de Praga, Brno e Ostrava ainda não há cafés publicados na Chéquia, enquanto vinte das cinquenta e uma torrefações, espalhadas por dezassete localidades, ficam precisamente nesse vazio — entre elas Nordbeans em Liberec, Chroast em Hradec Králové, Kmen em České Budějovice e Pikola em Šumperk. Trinta e uma das cinquenta e uma estão nas três cidades mapeadas; as outras vinte encontra-as numa prateleira muito antes de ver as suas terras assinaladas.

Se um saco de que gostou em Ostrava ou em Brno vier de Šumperk ou de Liberec, siga-o pela página da própria torrefação em vez de esperar que apareça um café ali perto: quase todas vendem direto e várias servem-lhe uma chávena se aparecer em horário de trabalho. E se beber bem numa terra checa onde ainda não chegámos, é essa a morada que vale a pena mandar-nos — as torrefações já lá estão; o que falta ao mapa são as casas.

Tchéquia: perguntas sobre café de especialidade

Tchéquia: quantos cafés de especialidade há?

Tchéquia: 539 cafés no mapa do Specialty Atlas, em 141 cidades. As que têm mais cafés: Prague (209 cafés), Brno (75 cafés) e Ostrava (19 cafés).

Tchéquia: há torrefações de café de especialidade?

Sim: 51 torrefações no Specialty Atlas, cada uma com o seu perfil. As que têm mais grãos no catálogo são Upraženo Coffee Concept, Father's e Fiftybeans.

Tchéquia: que cidades têm carimbo no Passaporte do café?

67 cidades: Prague, Brno, Ostrava e mais 64 cidades. Para ganhar o carimbo de uma cidade, visita lá um café e confirma a visita na app.