Café de especialidade — Alemanha
Uma bica custa setenta cêntimos e está a trinta passos de qualquer porta. Berlim funciona ao contrário: cidade plana e sem centro, onde duas boas chávenas ficam a vinte minutos de U-Bahn uma da outra e quem torra também serve ao balcão. Faz o dia por bairros e ele aguenta-se.
Cidades com café de especialidade — Alemanha
Torrefações de café — Alemanha
19grams Coffee RoastersBerlin· 2002
Andraschko KaffeemanufakturBerlin· 2006
BEANLAB KaffeeröstereiMonheim am RheinBonanza Coffee RoastersBerlinCebe Coffee RoastersBerlinElbgoldHamburg
Five ElephantBerlin· 2010
Fjord Coffee RoastersBerlin· 2016Hoppenworth & PlochFrankfurt am MainImpala CoffeeBerlinKaffeesaurusCologneMachhörndlNuremberg
Man Versus MachineMunich· 2014Mókuska CaffèStuttgartNord Coast Coffee RoasteryHamburgPopulus CoffeeBerlinPublic Coffee RoastersHamburgQuijote CoffeeHamburgRöststätte BerlinBerlinSupremo Coffee RoastersUnterhaching
The BarnBerlin· 2010Vinte minutos entre chávenas
Não há aqui uma rua do café nem um bairro que tenha ganho a discussão. Kreuzberg, Neukölln, Mitte, Prenzlauer Berg, Friedrichshain e Wedding comportam-se como vilas com horário e clientela próprios, e o que os separa é mais do que o mapa deixa ver: de Kottbusser Tor a Kastanienallee parece um passeio no ecrã do telemóvel e come quase uma hora a pé. Em Lisboa troca-se de café ao virar da esquina; aqui cada chávena a mais custa pernas ou bilhete. Berlim é também a única cidade alemã com cafés mapeados nestas páginas — Hamburgo, Munique, Colónia, Leipzig e as restantes ainda não entraram —, por isso qualquer roteiro tirado daqui fica dentro de uma cidade só, que é como convém fazê-lo de qualquer maneira. Dois bairros vizinhos por dia: um a pé, o outro a poucas paragens.
A torra acontece na sala ao lado
Bonanza, Five Elephant, 19grams, Fjord, Cebe, Impala e Andraschko torram em Berlim, e quem torrou costuma ser quem serve. Isso muda o que vale a pena perguntar ao balcão: quando chegou o lote, o que veio substituir, o que estão a afinar esta semana — e não qual é o melhor. Se o mesmo café estiver em espresso e em filtro, prova os dois; a diferença entre eles é a coisa mais clara que um balcão com torrefação própria consegue mostrar, e ninguém ali precisa de remeter para um fornecedor. As salas parecem oficinas antes de parecerem cafés: betão à vista, o tambor na sala ou um piso abaixo, bancos corridos e, ao domingo por volta das onze, fila à porta. Conta com tempo sentado, não com a bica despachada de pé.
Longe de Berlim, só o saco
Alguns torradores alemães desta lista ficam bem fora da cidade e não têm balcão no mapa: Elbgold em Hamburgo, Hoppenworth & Ploch em Frankfurt am Main, BEANLAB em Monheim am Rhein. Por agora são nomes de prateleira — vale a encomenda depois de perceberes o que gostas nos balcões berlinenses, para teres com que comparar. E se comprares grão pela cidade, compra ao fim do dia e não ao início; ninguém aproveita o segundo bairro com um quilo às costas.
Duas coisas seguram um dia de café em Berlim. Sai cedo: entre a abertura e as dez e meia é a única janela com que podes contar, antes de os portáteis tomarem as mesas e o pequeno-almoço se instalar por duas horas. E leva dinheiro. Muitas salas pequenas ainda o preferem, e a que o exige raramente é aquela que estavas disposto a saltar.
